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15.6.09
Greve e Tropa de Choque
A população pôde conferir através da mídia, no último dia 9, o conflito entre estudantes e a tropa de choque da polícia militar, em pleno campus da USP-Butantã. O embate se deu após uma manifestação, até então pacífica, que fazia parte dos atos da greve que vigora na universidade - greve que, inclusive, tem como um dos itens da sua pauta o repúdio à presença da PM dentro da Cidade Universitária.
Há 30 anos a Polícia Militar não intervêm neste campus. Não é preciso lembrar o tipo de regime pelo qual o Brasil passava nessa época. Hoje, vivemos em tempos onde o discurso do diálogo e da democracia imperam, mas será que isso representa o que acontece na realidade?
A partir do momento em que a reitora de uma das maiores universidades do país prefere “discar 190” à negociar com manifestantes e grevistas, que segundo ela são constituídas por uma minoria radical do corpo universitário, é momento de refletirmos um pouco sobre a maneira com que nossos governantes olham para as manifestações que lhes são ideologicamente hostis.
Uma reitoria, que chama para dentro do seio da universidade uma instituição que dispõe de um contingente mal treinado (não é preciso citar outros incidentes catastróficos causados pela falta de perícia da PM), armados de metralhadoras e escopetas, que utilizam bombas e balas de borracha em frente ao prédio de uma Escola de Aplicação, onde estudam crianças, certamente, essa reitoria, não prescinde dos valores do diálogo e da democracia.
Talvez, o pior de tudo, é ver, dentro do meio universitário, estudantes e professores que acham legítima a ação da Tropa. Fica difícil, assim, defender a USP daqueles que a taxam de elitista. Universitários que teimam em dizer aos meios de comunicação que essa greve não representa a maioria dos estudantes, e que as manifestações se devem a uma minoria radical, pois isto é uma obviedade, enquanto as universidades públicas forem recheadas pela elite econômica do país, e que os desfavorecidos estiverem afastados do meio intelectual, isso continuará sendo verdade. Essa greve, como todas as outras que se configuram no interior das universidades, são voltadas para aqueles que estão afastados da academia, os que não têm acesso a algo que, como pública, deveria se estender a todos.
Mesmo indo de encontro ao interesse dessa elite que utiliza das carteiras dessa universidade, onde deveriam estar os que não podem pagar por uma, mesmo sendo rechaçados por uma mídia, que defende a ordem social, mas que no fundo imploram para que conflitos como esse se sucedam e eles possam explorar o espetáculo ao limite, mesmo que ainda tenhamos que correr de muitas bombas lançadas pelo nosso José Serra, ainda assim nossa causa valerá : pelo fim da repressão dos movimentos sociais, por uma universidade gratuita e de qualidade a todos !

posted by LUCAS OLIVEIRA 17:48
Dedins de prosa :
2.6.09
para não perder a senha - 2
o retorno !
posted by LUCAS OLIVEIRA 17:25
Dedins de prosa :
21.1.09
a ela
Feita em recusa à cor pura,
banhada pelos tons temperados,
tecida pela sacudida mistura,
Olhe quem vem - ouve-se ao lado.
A que no batuque entornado à lua
põe-se a girar com as cores,
chama em procissão a rua,
faz em todos sumirem as dores.
A que sangra no peito os amores,
que deperta na carne calores,
a que dança e encanta os tambores.
A flor das raças que desabrocha,
arrancando dos peitos sofridos:
Dance e sonhe comigo, Cabrocha !
posted by LUCAS OLIVEIRA 14:51
Dedins de prosa :
28.11.08
Poxa, já estão colocando os enfeites de natal? Cada ano que passa esses comerciantes tornam-se mais gananciosos!
(Lê-se : Caramba, a cada ano o tempo passa mais rápido, e minha vida continua assim).
posted by LUCAS OLIVEIRA 00:29
Dedins de prosa :
29.10.08
Relembrar é viver.
Homens são construtores de lembranças.
Delas vivem e comem, por horas, nelas dormem.
Lembranças não são palavras, nem imagens e muito menos fatos.
Lembrança é aquela árvore de carambola, sob a qual eu me escondia do sol, naquela infância.
Lembrança é a luz presa no rabo do vagalume, daquele vagalume.
Lembrança é a paz que o chão sentia, após a chuva.
Homem é lembrador nato.
posted by LUCAS OLIVEIRA 03:16
Dedins de prosa :
14.7.08
Das Palavras
E a criança toda perguntera, foi com a dúvida a tira-colo barganhá-la por uma resposta com o renomado doceiro, que todos já sabiam, guardava várias manias, entre elas a de escambar perguntas sem meio por suas histórias sem fim.
- Quem ensinou para as pessoas os nomes de todas as coisas ?
O doceiro,que não só doces bons fazia, sacou uma resposta das suas favoritas, pois da pergunta muito gostou:
-Foi o tolo HOMEM que os nomes inventou, te digo até uma história que essa pergunta me fez lembrar, a velha história das cores, que alguém um dia veio trocar, por meia dúzia e pães e uma goma de mascar.
E de logo já emendou :
- As cores surgiram antes dos homens, de quando pouco importava se as coisas tinham nomes. E nesse tempo, cor é oque não faltava, eram elas muito mais numerosas que hoje, mais do que as estrelas do céu, pois até cada estrela possuia uma EXCLUSIVA cor para si, não havia um só tom que nelas se via repetir. Mas daí já chegou o homem, com sua mania de ordenar, revestiu tudo com nomes, já que assim era mais fácil de se classificar. Mas as cores, que eram tantas, ficaram difíceis de se etiquetar. Então, logo esse intento o homem abandonara, deixou quase todas as cores "desnomeadas". ao relento, à sorte do tempo. E hoje o tempo rolou, e essa moda de nomes pegou, e a ela muito nos acostumamos. Tudo que pra nós existe tem nome, e tudo que não tem nome já não existe. E quando olhamos hoje para estrelas, todas aquelas cores radiantes, já não temos. Agora, só um brilho monotônico, pois nenhuma cor nas estrelas é possível vermos mais . Daí sobraram essas cores que temos, as poucas que com nomes restaram, as que estão nas "vitrinas" das lojas e nas lombadas dos pálidos arco-íris. As outras, velhas, tantas e vivas, perderam-se. Digo a você, criança,"isso de nome é coisa de homem", acredite no que sente, mesmo que ao que se sente não possa nome nenhum dar.
posted by LUCAS OLIVEIRA 21:05
Dedins de prosa :
22.6.08
ééé
posted by LUCAS OLIVEIRA 22:13
Dedins de prosa :
27.2.08
só pra não perder a senha !!
posted by LUCAS OLIVEIRA 18:35
Dedins de prosa :
22.10.07
Saudade Caipira
A gente se embola, briga, faz birra, mas não adianta ... a saudade pinta, cresce e domina.
E eu que já tenho essa veia de caipira saudosista, acabo só fazendo por engordar esse sentimento. Nostalgia pra lá e pra cá. Dos amigos, da família, de mim mesmo a um tempo atrás, e agora da mulé !
Capiau é movido a saudade, do que foi, do que não foi, do que virá, e mais ainda, do que NUNCA virá. Sina de Matuto é matutar, e disso ele não foge, estando ou estiver, de uberada à Michigan, de Vargem à Moscou !
posted by LUCAS OLIVEIRA 16:33
Dedins de prosa :
16.9.07
Sebastião
Que fim levou Sebastião ?
Que todos os dias por aqui passava,
driblava os buracos de minha calçada,
sereno e denso como uma passarada.
Que fim levou Sebastião ?
Aquele que comia a vida na marmita,
arquejado pela irancuda rotina,
que todo santo dia ao anterior imita.
Que fim levou Sebastião ?
Que se fazia, de minha mitologia, o centro.
Impassível, da repetição não reclamava !
dizia ele, que o segredo dentro de si estava.
Que fim levou Sebastião ?
aquele, que dizia destino não ter,
trazia, como todo homem, consigo
apenas um caminho a fazer.
Que fim levou Sebastião ?
que de uma hora pra outra, não mais passou.
Sumiu e me desacorçoou.
Estaria ele aonde agora ? Ensimesmado ?
Que fim levou Sebastião ?
Será que por uma cabrocha se enrabichou ?
Ou pelas veias da morte se coagulou ?
Teria alguma riqueza pela sorte alcançado ?
Que fim levou Sebastião ?
Talvez coragem ganhou, pra da cama NÃO levantar.
Por outra senda tentou atalhar ?
Ganhou coragem pra algo mudar ?
Que fim levou Sebastião ?
lucas
posted by LUCAS OLIVEIRA 19:18
Dedins de prosa :
10.8.07
Quem puxa aos seus não degenera
Quem puxa aos seus
Não degenera, não
Degenera, não
Não degenera
Daí meu pai disse
Meu filho, espera
A inocência que há
No olhar da fera
E a minha mãe, ai, ai
Meu Deus,quem dera
A paciência de uma
Longa espera
Quem puxa aos seus
Não degenera, não
Degenera, não
Não degenera
E a minha mãe, ai, ai
Meu Deus,quem dera
Quanta ciência
Quanta primavera
Daí meu pai disse
Meu filho, espera
Que a violência, meu amor
Já era
(Walter Franco)
posted by LUCAS OLIVEIRA 14:43
Dedins de prosa :
12.6.07
1
posted by LUCAS OLIVEIRA 16:14
Dedins de prosa :
22.5.07
É só
Quando o dia-a-dia lhe suga a energia, que antes despendia em palavras escritas,
refrescasse, ao menos, relendo o já dito.
Fosse eu traduzir o meu passado para o idioma daqueles que já se sentiram só,
estariam nele as cores que não citei, os sabores que dispensei, os barulhos que temi,
os choros que engoli.
Sabedoria servir-se do amargo atual, como contraste, exaltando assim com
clareza de se poder lêr ao avesso, as boas coisas que já senti.
posted by LUCAS OLIVEIRA 17:34
Dedins de prosa :
18.5.07
já tentou sambar com uma mão só ?
Tô com o dedo indicador da mão direita quebrado
PS: Essa mão não é minha !!
posted by LUCAS OLIVEIRA 16:48
Dedins de prosa :
7.3.07
Primeiras Estórias
Não tenho muitas distrações por aqui, além do estudo formal e a observação crítico-caipira. Apesar dessa última estar se revelando como um passatempo muito divertido nos poucos momentos que caminho entre o rebanho de estressados. Um dos salientes frutos de minha observação é o vultuoso número de tropeções e cata-cavacos que ocorrem entre os incautos pedestres. Por mania, tento entender os motivos psíquicos e metafísicos desse fenômeno, mas teimam em me desiludir e rebaixar minhas descobertas, atribuindo a sua causa às péssimas condições do calçamento, povo sem imaginação esse!
As minhas primeiras impressões não foram das melhores, palavras como "cinza", "tensão" e "pressa" bem definiriam o ambiente, nem parecia Brasil, pois bem, errei. Essa é a ilustração perfeita da ¿sociedade brasileira¿, principalmente o trânsito. Tudo pára ao menor sinal de ranhura no seu complexo sistema viário. Se chover pára, greve no metrô pára, algum acidente pára, abre uma cratera pára. Bom, talvez seja isso que no fundo todos queiram, uma desculpa pra parar um pouco.
PS: Nenhuma pretenção com o título, apenas uma homenagem ao nosso Guimarães Rosa.

posted by LUCAS OLIVEIRA 17:11
Dedins de prosa :
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